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fmhv

Diz que não gosta de Música Clássica?

Um blog para iniciar ao gosto da música clássica com recomendações de compositores e obras fáceis para a introdução neste tipo de música. Recomendações de espectáculos ao vivo todas as quintas-feiras.

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Musopen - Uma ideia de uma biblioteca de música clássica grátis

Publicado: 2010-09-01 às 00:44
Na revista Wired (para mim a melhor revista do mundo), bom na verdade no seu site da versão inglesa encontrei um artigo sobre um projecto muito interessante: Musopen. A ideia deste projecto é tão simples como brilhante.



Este grupo pretende recolher fundos (na verdade já o conseguiu) para gravar sinfonias de Beethoven, Brahms, Sibelius e Tchaikovsky e libertar essas gravações para o domínio público. Isso é necessário porque se por um lado Beethoven por exemplo já faleceu há mais de 180 anos e logo as obras já não estão protegidas por nenhum tipo de copyright o mesmo já não acontece com as interpretações de cada uma das suas obras. Os direitos de interpretação estão sujeitos exactamente às mesmas regras.



Assim a ideia é simples: Contratar uma orquestra de topo gravar as obras (o contrato obviamente terá em conta esse desígnio) e depois colocar essas interpretações disponíveis para download. Tudo legal sem infracção de qualquer direito de artistas ou compositores. Para isso estabeleceram uma página onde é facílimo fazer a doação que se pretenda. Posso dizer-vos que já contribui, entretanto o valor necessário até já foi atingido mas quanto mais forem os fundos mais obras poderão ser gravadas. Os pagamentos podem ser feitos através da Amazon pelo que o processo é absolutamente seguro.



Na verdade este já é o segundo projecto deste género dado que já foram gravadas as 32 sonatas de Beethoven para piano e que também já foram disponibilizadas para o domínio público.



Beethoven estaria contente com este projecto, como ele dizia : "Deveria haver um único armazém no mundo ao qual todos os artistas pudessem levar as suas peças e dele retirar tudo de que tivessem necessidade"

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Listen to This - Esa-Pekka Salonen

Publicado: 2010-08-31 às 01:03
O próximo livro de Alex Ross intitulado "Listen to This" tem um capítulo que só pelo título me desperta imensa curiosidade. Chama-se o Sexto Capitulo : "Esa-Pekka Salonen - O Anti-Maestro". Claro que este livro que ainda não podem adquirir será uma das minhas compras obrigatórias algures em finais de 2010 ou 2011 assim que o conseguir encontrar. Até lá terei de digerir a curiosidade tenho no entretanto duas propostas a fazer-vos. Primeiro que leiam/oiçam aqui o guia audio ao livro. Segundo que não percam o Maestro (ou se preferirem o Anti-Maestro :-) ) quando ele vier cá à Gulbenkian. Têm muito por onde escolher desde a ópera (Janacek) até ao seu próprio concerto para Violino passando por Bartok e o seu polémico (na altura) Mandarim Maravilhoso . É só mesmo o embaraço da escolha que o orçamento (pelo menos o meu) não dá para tudo . . . Claramente te dou um prémio a quem me conseguir dizer porque razão Alex Ross chama a Esa-Pekka Salonen o Anti-Maestro.



A propósito Esa tem sido nestes últimos anos na Filarmónica de Los Angeles que deixou este ano o professor da nossa maestrina Joana Carneiro . . .

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Post nº 1000 : Os vossos comentários a este blog (Parte 36 - 16 a 30 de Setembro de 2009)

Publicado: 2010-08-29 às 21:07
No dia 18 de Setembro André Rendeiro rendia Moura Aveirense na sua justa luta para completar as nossas recomendações com complementos para Aveiro dizendo: "Já agora aproveito também para anunciar o concerto que haverá hoje na reitoria da Universidade de Aveiro às 21 horas, onde a Orquestra Filarmonia das Beiras (OFB) e solistas interpretarão obras de Haydn, Mozart e Weber (serão 3 concertos), na celebração do início do ano lectivo. "



No dia 19 de Setembro Ematejoca perguntava a propósito de um post sobre uma canção de Schumann: "Com que então, o Fernando não só gosta de música clássica como também de mulheres bonitas. Eu prefiro as loiras: Grace Kelly! Para traduzir os poemas de Heine, o Fernando tem de ter bons conhecimentos do alemão. Porque é, que não dá, de vez em quando, uma espreitadela ao "ematejoca"?! Desculpe, Fernando, mas fiquei na dúvida. Traduz os poemas da língua original ou da versão inglesa?" Hum e não é a mesma coisa pergunto? Quero dizer música clássica e mulheres bonitas? Nas palavras de Vinicius de Moraes uma mulher tem de ter algo mais para além da beleza, algo de interior, e mais não digo. Quanto à fonte que utilizo bem depende, na maioria dos casos a partir do Inglês embora tente o Alemão de vez em quando, mas tipicamente do Inglês.



A 20 de Setembro pedia-nos feedback se fossemos à Gulbenkian ver e ouvir Daniel Barenboim: "Adoraria ir à apresentação do livro e aos concertos de Baremboim, mas infelizmente não me vai ser possível. Assisti a um concerto dele nos Proms 2003 e a uma Masterclass dele em Salzburgo e adorei! Se for, aguardo as suas impressões. Uma boa noite, Moura Aveirense". Conseguimos ir à conferência de que demos conta aqui. Por outro lado Pianoman avisava que tinha bilhete para o concerto de piano na Quarta-Feira mas que iria chegar atrasado: "Eu tenho bilhete para o concerto de 4ª feira, mas se conseguir ir é para chegar atrasado. . . "



A 23 de Setembro Geocrusoe dizia que o nosso post sobre Barenboim merecia um Tweet: "Este post merecia um tweet que já fiz. Parabéns pelo tema e há que agradecer a existência de pessoas como Barenboim". Não sei se mereceria. Sei que Barenboim merece sem margem para dúvida. Gi agradecia a partilha: "Obrigada por nos contar, Fernando, deve ter valido bem a pena ir ouvir o maestro. Depois conte-nos sobre o livro. " Por outro lado Pianoman preferia fazer um comentário sobre o concerto do maestro a que assistiu: "Barenboim é sem dúvida uma figura cimeira da cultura musical. Pessoa muito inteligente e sensível aos problemas deste Mundo. Pessoa muito musical, talentoso e um óptimo pianista e maestro. Pena é que o seu recital de 4ª feira tenha sido bastante sofrível. Tudo muito "aldrabado". Pedal mal utilizado, articulação pouco clara. O melhor foram as ideias musicais, mas a forma como tentou pôr essas ideias em prática foi fraca. Que pena. Para variar teve direito a uma ovação de pé e grande simpatia do público, muito por "culpa" da Polaca Op. 53. Dois números extra programa (entre eles uma bela interpretação de um Nocturno). "



A 25 de Setembro dizia o ensemble Triad Libitum a propóstito de um post do nosso dicionário musical : "É verdade, sim senhor! E cá estamos nós para o confirmar :D"



A 28 de Setembro Frioleiras confessa não saber do falecimento da pianista Alicia de Larocha : "Não sabia, fiquei a saber. Lamento muito. Quanto à sua sugestão de Buxtehude. . . . . . . . . adoro-o. é dos meus compositores preferidos. . . . . . . . . . . . . . . . "



No dia 28 de Setembro Augusto Bogo agradecia o post sobre o seu blog: "Olá Fernando!

Te agradeço muito, mas muito mesmo pelo post. Adorei! hehe Bom, acho que o mínimo que posso fazer é recomendar o seu blog. . . e farei isso com o maior prazer! Um grande abraço!"



A 29 de Setembro o Sofá Amarelo contava-nos (a propósito de uma das nossas pesquisas da semana) que havia uma rua chamada Guilhermina Suggia em Lisboa: "Há uma rua em Lisboa com o nome de Guilhermina Suggia, uma rua muito especial para mim. . . Fica na zona do Areeiro perto da estação de comboios Roma/Areeiro. Pode não parecer importante referir isso, mas ainda bem que alguns dos nossos grandes nomes da música erudita são preservados. Um forte abraço!!!"



A 30 de Setembro Mário comentava a nossa escolha nas interpretações das Sinfonias a votação: "Caro Fernando, excelente escolha, Carlos Kleiber para a 7ª! Já para a 9ª, preferia Solti (clássico) ou Herreweghe (leitura histórica).





Duas sugestões para Brahms:

nº4 - Carlos Kleiber,

http://www. youtube. com/watch?v=yCaaPaQx5zg

nº2 - o belo 2º andamento num vídeo recente de boa qualidade,

http://www. youtube. com/watch?v=RS0dSoK5J9U





Em gravações,aprecio a 2ª de Celibidache ou de Kurt Sanderling

Se não se importa, vou usar o vídeo da 2ª no meu blog.





De Schubert, não arranjo nada de jeito no youtube. A minha 9ª preferida é a de Gunter Wand.





Abraço"

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A pirotecnia visual versus o "sentir a música dentro de si" II

Publicado: 2010-08-29 às 10:23
Tentei que isto fosse um comentário mas aparentemente há um limite para a dimensão dos mesmos . . . arghhhhhhhhhhh.



@Mário: Pois pode, pois pode. E também concordo que as posições do público e do interprete são assimétricas. Mas não deixa de ser engraçado que no tempo dos compositores que admiramos essa não fosse a norma de comportamento e que eles não a esperassem sequer (aliás ficavam preocupados quando uma obra sua era ouvida de principio a fim sem manifestações de júbilo - era sinal que alguma coisa não tinha "passado"). Como também não deixa de ser interessante os caminhos diferentes que seguiram a música instrumental e a ópera desse ponto de vista e as razões históricas que justificam essa diferença comportamental.



Não quero dizer com isto que gostasse de ver as obras interrompidas a meio ou no fim de um andamento para se pedir um encore. Não é isso. Mas por vezes não sei se na defesa da "integridade" da obra ou da interpretação, ou do "conceito" do compositor não nos esquecemos que a música como qualquer forma de arte é feita para ser usufruída. É sempre a sublimação de algo de acordo com regras e técnicas mas se não for feita para ser usufruída não tenho certeza que faça sentido. E é precisamente nesse usufruto que não sei se não exageramos no espartilho de convenções que colocamos à música de que tanto gostamos. Aqui poderia juntar à polémica a razão pela qual creio que a música clássica contemporânea não cumpre este requisito na maioria dos casos mas isso seria ainda abrir ainda mais um desvio, um parênteses. Eu sei que gosto do Vitorino Nemésio pelos seus longos e às vezes poeticamente livres parênteses mas tentemos não abrir demasiadas conversas paralelas a estes nossos limitados neurónios . . .



Quer enquanto interprete quer enquanto ouvinte, posições assimétricas concordamos plenamente, sinceramente não sei . . . e depois de ler os vários artigos do Alex Ross ainda fiquei mais na dúvida. Pessoalmente penso que o silêncio e a forma actual de ouvir foi uma evolução mas repare por exemplo no concerto de ano novo. Não lhe parece que em alguns concertos se ganharia com um momento de alegria? Não todos claro que nem todas as obras se prestam a isso - um acontecimento desses depois de sei lá - uma das "Paixão" de Bach seria perfeitamente despropositado, mas em alguns casos não seria admissível ou desejável? Não faria com que muito mais pessoas se sentissem próximas da "nossa" música?



Claro que se coloca a questão de quem determinaria os momentos, mas aí para mim é claro que quem "manda" é o maestro . . . Sei que divergi mais para o público do que para o interprete porque neste a tendência que tenho observado ultimamente é precisamente no sentido destes utilizarem cada vez mais efeitos pirotécnicos em vez de se preocuparem com a música, uma questão precisamente de marketing porque é este comportamento que é preferido pela esmagadora maioria da audiência . . . ou melhor é isso que lhes permite ultrapassar o limite de vendas dos "connaisseurs" e passar para o grande público, pelo menos parece ser essa a opinião dos marketeers de música. Ah e sim também explica porque razão cada vez mais os interpretes são tratados como "sex symbols" de forma mais ou menos velada (ou não . . . )

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Eliza Flower (1803-1846)

Publicado: 2010-08-28 às 23:08
Continuando a percorrer o período romântico à procura de mulheres que tenham conseguido alguma notoriedade no campo da composição hoje um pouco por acaso encontramos o nome de Eliza Flower, confessamos por causa do Titanic como vou explicar de seguida.



Eliza Flower dedicou essencialmente à música sacra nomeadamente musicando obras de sua irmã a poeta e escritora Sarah Fuller Flower Adams. A mais conhecida dessas obras é o hino "Nearer my God to Thee" que ficou tristemente celebre (tristemente pelas circunstâncias da tragédia claro) por ter sido a música que foi interpretada enquanto o Titanic se afundava. Esta composição foi obviamente popularizada pelos vários filmes produzidos sobre a tragédia pelo que reconhecerão de certeza a melodia, bela e tranquila.



Proponho aqui a versão com o poema mais raramente ouvido do que a versão puramente instrumental.







Eliza morreu bastante jovem com apenas 43 anos depois de uma vida apelidada em muitas das biografias que consultei como "radical" ou polémica em virtude de um eventual romance com William Fox 17 anos mais velho, divorciado e padre da igreja unitária (não tenho a certeza que é assim que se traduz este ramo das igrejas baseadas na fé cristã). Outro trabalho notável de Eliza Flower foi a composição de música para as canções românticas de Sir Walter Scott, aliás o seu primeiro trabalho enquanto compositora.

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