POEMAS
The force that through the green fuse drives the flower
The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.
The force that drives the water through the rocks
Drives my red blood; that dries the mouthing streams
Turns mine to wax.
And I am dumb to mouth unto my veins
How at the mountain spring the same mouth sucks.
The hand that whirls the water in the pool
Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind
Hauls my shroud sail.
And I am dumb to tell the hanging man
How of my clay is made the hangman's lime.
The lips of time leech to the fountain head;
Love drips and gathers, but the fallen blood
Shall calm her sores.
And I am dumb to tell a weather's wind
How time has ticked a heaven round the stars.
And I am dumb to tell the lover's tomb
How at my sheet goes the same crooked worm.
. . . . .
A força que impele através do verde rastilho a flor
impele os meus verdes anos; a que aniquila as raízes das árvores
é o que me destrói.
E não tenho voz para dizer à rosa que se inclina
como a minha juventude se curva sobre a febre do mesmo inverno.
A força que impele a água através das pedras
impele o meu rubro sangue; a que seca o impulso das correntes
deixa as minhas como se fossem de cera.
E não tenho voz para que os lábios digam às minhas veias
como a mesma boca suga as nascentes da montanha.
A mão que faz oscilar a água no pântano
agita ainda mais as da areia; a que detém o sopro do vento
levanta as velas do meu sudário.
E não tenho voz para dizer ao homem enforcado
como da minha argila é feito o lodo do carrasco.
Como sanguessugas, os lábios do tempo unem-se à fonte;
fica o amor intumescido e goteja, mas o sangue derramado
acalmará as suas feridas.
E não tenho voz para dizer ao dia tempestuoso
como as horas assinalam um céu à volta dos astros.
E não tenho voz para dizer ao túmulo da amada
como sobre o meu sudário rastejam os mesmos vermes.
tradução: Fernando Guimarães
And death shall have no dominion
And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
. . . .
E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corda em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
Poem in October
It was my thirtieth year to heaven
Woke to my hearing from harbour and neighbour wood
And the mussel pooled and the heron
Priested shore
The morning beckon
With water praying and call of seagull and rook
And the knock of sailing boats on the net webbed wall
Myself to set foot
That second
In the still sleeping town and set forth.
My birthday began with the water-
Birds and the birds of the winged trees flying my name
Above the farms and the white horses
And I rose
In the rainy autumn
And walked abroad in a shower of all my days.
High tide and the heron dived when I took the road
Over the border
And the gates
Of the town closed as the town awoke.
A springful of larks in a rolling
Cloud and the roadside bushes brimming with whistling
Blackbirds and the sun of October
Summery
On the hill's shoulder,
Here were fond climates and sweet singers suddenly
Come in the morning where I wandered and listened
To the rain wringing
Wind blow cold
In the wood faraway under me.
Pale rain over the dwindling harbour
And over the sea wet church the size of a snail
With its horns through mist and the castle
Brown as owls
But all the gardens
Of spring and summer were blooming in the tall tales
Beyond the border and under the lark full cloud.
There could I marvel
My birthday
Away but the weather turned around.
It turned away from the blithe country
And down the other air and the blue altered sky
Streamed again a wonder of summer
With apples
Pears and red currants
And I saw in the turning so clearly a child's
Forgotten mornings when he walked with his mother
Through the parables
Of sun light
And the legends of the green chapels
And the twice told fields of infancy
That his tears burned my cheeks and his heart moved in mine.
These were the woods the river and sea
Where a boy
In the listening
Summertime of the dead whispered the truth of his joy
To the trees and the stones and the fish in the tide.
And the mystery
Sang alive
Still in the water and singing birds.
And there could I marvel my birthday
Away but the weather turned around. And the true
Joy of the long dead child sang burning
In the sun.
It was my thirtieth
Year to heaven stood there then in the summer noon
Though the town below lay leaved with October blood.
O may my heart's truth
Still be sung
On this high hill in a year's turning.
. . . .
Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã
Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.
Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.
Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio no bosque ao longe que jazia a meus pés.
Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que humedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário ia adiante mas o tempo girava em derredor.
Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Peras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela
E pêlos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.
E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.
Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.
PEQUENA BIOGRAFIA
Dylan Marlais Thomas, nasceu em Swansea, no País de Gales, em 1914. Sem estudos superiores, foi jornalista e escritor. Escreveu sobretudo poemas e contos. Saído de uma escola literária que teve autores como T. S. Eliot, Edith Sitwell, W. H. Auden ou Stephen Spender, deixou-nos uma poesia, intensa, contemporânea, plena de vivência dos sentidos, que toca a sensibilidade de gerações e se mantém viva, em muitas línguas. «Deaths and Entrances" (1946) é um dos seus livros mais conhecidos, a par com os seus «Collected Poems» (1934-1952). Actualmente é considerado um dos mais importantes poetas universais do século XX. A sua obra é estudada nas Universidades. Bob Dylan usou o seu sobrenome como pseudónimo artístico. Dylan Thomas levou uma vida desordenada e alcoólica, em breve consumida. Faleceu aos trinta e nove anos, em 1953, durante uma tournée de leitura de poemas, em Nova Iorque.
Cortesia de Um Buraco na Sombra
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Poetas do Mundo - Dylan Thomas
Publicado: 2010-09-01 às 04:23
Os «jardins» da poesia portuguesa
Publicado: 2010-08-30 às 03:38
No final de 2009 foi editada a antologia «Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI», organizada por Rui Lage e Jorge Reis-Sá. Apesar de na última década terem sido editadas as antologias, Anos 90 e Agora, organizada por Jorge Reis-Sá; Desfocados Pelo Vento. A Poesia dos Anos 80, Agora, organizada por valter hugo mãe; Poetas Sem Qualidades e A Perspectiva da Morte, ambas de responsabilidade de Manuel de Freitas, tendo inclusive saído recentemente, uma pequena antologia (10 poetas portugueses contemporâneos) na Colômbia, que organizei a pedido da revista ARQUITRAVE e intitulada A Poesia Portuguesa Hoje, foi, contudo, a antologia Século de Ouro. Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX, organizada por Osvaldo Manuel Silvestre e Pedro Serra, que verdadeiramente ainda criou alguma polémica. Realmente, cada vez mais se aceita o que aparentemente nos é "entregue de mão beijada" pelos "entendidos" e pelo cânone, daí, os poetas sem reconhecimento ou ainda em luta pelo seu espaço, pouco ou nada reagirem, no âmbito crítico, e para além disso, os membros de cadeira do cânone, não ousam por princípio, criticar os seus comparsas. Se é verdade, que não precisamos sempre de voltar a 2002, quando "os deputados do círculo de Coimbra na Assembleia da República, mais Helena Roseta, apresentaram protesto formal junto da estrutura dirigente de Coimbra 2003 (Capital Nacional da Cultura), sponsor da edição, pelo facto de Afonso Duarte, Miguel Torga e Manuel Alegre. . . não terem sido seleccionados. E que, em extenso artigo no Diário de Notícias, Ana Marques Gastão tenha feito a lista das ausências ?intoleráveis? (o adjectivo é meu): Intelligentsia deixa de fora mais de 30 autores" (Eduardo Pitta - "Da Literatura"), seria altamente recomendável que, tal como nos portamos hoje, de forma geral, na sociedade, na política, nos valores que nos regem, etc, ou seja, de um modo absurdamente indiferente, apático e desapaixonado, tal não o fizéssemos em relação à poesia e à literatura em geral.
Assim, voltando à antologia Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, e mencionando antecipadamente, de que apesar de tudo, e até tendo em conta a falta de antologias do género, a antologia passou a ser um dos meus livros de poesia de cabeceira, terei forçosamente de referir o seguinte:
A antologia reúne num só e gigantesco (até talvez assustador) volume de mais de 2000 mil páginas, 267 poetas portugueses, que vão de Pai Soares de Taveirós (início de séc. XIII) até Pedro Mexia (nascido em 1972). Os responsáveis (sobretudo no que concerne ao séc. XX, o grande paradigma desta antologia) vacilam entre não deixar fora das margens, nenhum autor "suficientemente" canónico e a tentação inversa de deixar a marca do seu gosto pessoal, qualquer que seja a origem desse gosto (aliás, perfeitamente válida, se não se caísse por vezes no absurdo, para não dizer escândalo de algumas escolhas, quer seja pelos nomes, pelo conteúdo ou pelo espaço, atribuído neste ?jardim? da poesia portuguesa).
Pode-se discordar um pouco do número de páginas (quer devessem ser mais ou menos) atribuídas a poetas como, Camões (82 páginas); Bernardim Ribeiro (19 páginas); Bocage (12 páginas); Almeida Garrett (20 páginas); João de Deus (2 páginas); Florbela Espanca (3 páginas); Teixeira de Pascoais (12 páginas); Mário de Sá-Carneiro (22 páginas); Fernando Pessoa (159 páginas); José Régio (7 páginas); Jorge de Sena (24 páginas); E. M. de Melo E Castro (6 páginas); Carlos Oliveira (19 páginas); Manuel Alegre (6 páginas); Luísa Neto Jorge (11 páginas) ou Vasco Graça Moura (16 páginas), para dar alguns exemplos (sempre sem esquecer o agradecimento que Manuel Gusmão deveria dar aos organizadores por lhe ter sido incluído um poema nesta casta de poetas). Mas, alguns "atentados" são efectuados à poesia e aos poetas, particularmente do século XX, realmente o espaço privilegiado definido pelos organizadores (isto, sem deixar de realçar uma excelente selecção, sem dúvida inatacável, que foi a efectuada relativamente aos cancioneiros dos séculos XIII e XIV).
Assim, passo a apontar alguns casos que causam bastante perplexidade. Como entender uma antologia onde são incluídos 14 poemas de Eduarda Chiote, 27 de Jorge de Sousa Braga e apenas 1 (!!!), repito, um, de Manuel Gusmão (já para não referir os 2(!) poemas de Natália Correia)? Aliás, Eduarda Chiote, com 14 poemas, possui mais do que António Maria Lisboa, António José Forte, Armando da Silva Carvalho, Fátima Maldonado e Manuel Gusmão em conjunto (é obra - de quem?). Se aceitamos as 39 páginas de Ruy Belo, como explicar as escassas páginas, tendo em conta as simetrias atrás expostas, de Herberto Helder e Mário Cesariny? Mas, guardado estava o bocado ? então não é que afinal, o grande poeta das últimas décadas em Portugal se chama Daniel Maia-Pinto Rodrigues (!!!)?
Daniel Maia-Pinto Rodrigues que alguns querem à força comparar a Adília Lopes (também há quem compare a noite ao dia sem qualquer problema), com as suas vinte e tal páginas, é sem dúvida, uma, senão a maior (ao nível de Manuel Gusmão - 1 poema), das extravagâncias desta antologia (Luís Miguel Queirós, afirma que ele «escreve na arejada ignorância de toda a tradição literária»), porque parece que nesta antologia (de que apesar de tudo teremos que entender determinados critérios e metodologias, tendo em vista a editora e seus intuitos e de alguma forma, existir perfeitamente delineada uma intenção pedagógica, uma vez que a antologia deveria, ou deverá, funcionar como um largo manual poético-escolar da poesia portuguesa) por vezes, ficamos sem saber se os responsáveis colocam ou não colocam autores, tendo em conta apenas os seus gostos pessoais, ou até se conhecerão minimamente, determinados poetas e sua respectiva poesia (e falo especialmente de poetas do séc. XX, talvez até da segunda metade do séc. XX), uma vez que é o grande campo de incidência da antologia.
Isto, já para não falar na exclusão de poetas desta antologia (até tendo em conta a inclusão de outros) como, António Feijó, José Blanc de Portugal, Guilherme de Faria, Saúl Dias, António Salvado, Edgar Carneiro, Ernesto Sampaio, António Barahona, Vergílio Alberto Vieira, José Sebag, Manuel da Silva Ramos, Nuno de Figueiredo ou Carlos Bessa, só para citar nomes (poderia ainda referir mais alguns) que encarnam o número do azar (13) e que poderiam perfeitamente ter sido incluídos na antologia.
Concluindo (apesar de ser sempre mais cómodo, estar no exterior, do que no centro, de uma tarefa como esta), estamos perante uma antologia em que aos organizadores terá que ser atribuído o mérito, algo considerável, de terem conseguido juntar mais de dois mil poemas (ou fragmentos deles) de 267 poetas, num arco temporal de oito séculos, mas que até devido a tal facto, deveriam em determinadas situações, por um lado, ter sido mais exigentes consigo próprio e por outro, não acharem que este jardim (pequeno jardim) da poesia portuguesa, aceita ou aceitará qualquer planta, só porque é regada em abundância (aliás, "água de mais mata a planta").
P. S. ? Se a antologia terminou com Pedro Mexia que nasceu em 1972 e que publicou pela primeira vez em 1999 ? ficamos sem ter a certeza, se não ter terminado com um poeta nascido em 1974, o mais lógico (uma vez que seria terminar um ciclo temporal numa data importante, não só da sociedade, mas também, da literatura portuguesa) ou publicado pela primeira vez em 2000, se deveu ao facto de ter sido assumido o objectivo de não incluir Manuel de Freitas?
Dois poemas de Manuel Gusmão (1 poema na antologia) e Daniel Maia-Pinto Rodrigues (23 páginas na antologia ? como disse numa carta que me escreveu em 2006, Herberto Helder: ?E eu que ainda não li todos os gregos?):
A velocidade da luz
Há, houve uma rotação do teu corpo
e há qualquer coisa de irreparável
que me fizeste quando rodaste no mundo ?
o quase homem aposta tudo em que voltará.
Joga tudo em que o mundo regressará
a essa forma de uma onda suspensa na música
a essa rotação fora dos eixos.
Porque é que dizes então «irreparável»?
Irreparável aponta para onde?
Irreparável é o mesmo que antiquíssima
e não idêntica?
A cicatriz é irreparável porque a ferida é perpétua,
esquecida e perpetua?
Tocas-lhe a milímetros de distância,
como quem não quer
a coisa,
e tu devias dar e não dar por isso.
Dir-se-ia que o ar se moveu, que uma coluna
do tempo se deslocou, dançou como a luz por entre nuvens
na parede verde de um canavial.
M. G.
Um Pequeno Poema de Amor
Nos tempos primitivos
o australopiteco dizia para a mulher:
"ó minha macaquinha, sorria
olhe ali um mamute!"
Nos tempos de hoje em dia
o homem diz para a mulher:
"ó minha dama de companhia, mamo-te. "
Prefiro o setentão sinfónico dos Camel
que dizia:
ó minha dama de fantasia, amo-te.
D. M. P. R.
por João Rasteiro
Cortesia de TRIPLOV
Assim, voltando à antologia Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, e mencionando antecipadamente, de que apesar de tudo, e até tendo em conta a falta de antologias do género, a antologia passou a ser um dos meus livros de poesia de cabeceira, terei forçosamente de referir o seguinte:
A antologia reúne num só e gigantesco (até talvez assustador) volume de mais de 2000 mil páginas, 267 poetas portugueses, que vão de Pai Soares de Taveirós (início de séc. XIII) até Pedro Mexia (nascido em 1972). Os responsáveis (sobretudo no que concerne ao séc. XX, o grande paradigma desta antologia) vacilam entre não deixar fora das margens, nenhum autor "suficientemente" canónico e a tentação inversa de deixar a marca do seu gosto pessoal, qualquer que seja a origem desse gosto (aliás, perfeitamente válida, se não se caísse por vezes no absurdo, para não dizer escândalo de algumas escolhas, quer seja pelos nomes, pelo conteúdo ou pelo espaço, atribuído neste ?jardim? da poesia portuguesa).
Pode-se discordar um pouco do número de páginas (quer devessem ser mais ou menos) atribuídas a poetas como, Camões (82 páginas); Bernardim Ribeiro (19 páginas); Bocage (12 páginas); Almeida Garrett (20 páginas); João de Deus (2 páginas); Florbela Espanca (3 páginas); Teixeira de Pascoais (12 páginas); Mário de Sá-Carneiro (22 páginas); Fernando Pessoa (159 páginas); José Régio (7 páginas); Jorge de Sena (24 páginas); E. M. de Melo E Castro (6 páginas); Carlos Oliveira (19 páginas); Manuel Alegre (6 páginas); Luísa Neto Jorge (11 páginas) ou Vasco Graça Moura (16 páginas), para dar alguns exemplos (sempre sem esquecer o agradecimento que Manuel Gusmão deveria dar aos organizadores por lhe ter sido incluído um poema nesta casta de poetas). Mas, alguns "atentados" são efectuados à poesia e aos poetas, particularmente do século XX, realmente o espaço privilegiado definido pelos organizadores (isto, sem deixar de realçar uma excelente selecção, sem dúvida inatacável, que foi a efectuada relativamente aos cancioneiros dos séculos XIII e XIV).
Assim, passo a apontar alguns casos que causam bastante perplexidade. Como entender uma antologia onde são incluídos 14 poemas de Eduarda Chiote, 27 de Jorge de Sousa Braga e apenas 1 (!!!), repito, um, de Manuel Gusmão (já para não referir os 2(!) poemas de Natália Correia)? Aliás, Eduarda Chiote, com 14 poemas, possui mais do que António Maria Lisboa, António José Forte, Armando da Silva Carvalho, Fátima Maldonado e Manuel Gusmão em conjunto (é obra - de quem?). Se aceitamos as 39 páginas de Ruy Belo, como explicar as escassas páginas, tendo em conta as simetrias atrás expostas, de Herberto Helder e Mário Cesariny? Mas, guardado estava o bocado ? então não é que afinal, o grande poeta das últimas décadas em Portugal se chama Daniel Maia-Pinto Rodrigues (!!!)?
Daniel Maia-Pinto Rodrigues que alguns querem à força comparar a Adília Lopes (também há quem compare a noite ao dia sem qualquer problema), com as suas vinte e tal páginas, é sem dúvida, uma, senão a maior (ao nível de Manuel Gusmão - 1 poema), das extravagâncias desta antologia (Luís Miguel Queirós, afirma que ele «escreve na arejada ignorância de toda a tradição literária»), porque parece que nesta antologia (de que apesar de tudo teremos que entender determinados critérios e metodologias, tendo em vista a editora e seus intuitos e de alguma forma, existir perfeitamente delineada uma intenção pedagógica, uma vez que a antologia deveria, ou deverá, funcionar como um largo manual poético-escolar da poesia portuguesa) por vezes, ficamos sem saber se os responsáveis colocam ou não colocam autores, tendo em conta apenas os seus gostos pessoais, ou até se conhecerão minimamente, determinados poetas e sua respectiva poesia (e falo especialmente de poetas do séc. XX, talvez até da segunda metade do séc. XX), uma vez que é o grande campo de incidência da antologia.
Isto, já para não falar na exclusão de poetas desta antologia (até tendo em conta a inclusão de outros) como, António Feijó, José Blanc de Portugal, Guilherme de Faria, Saúl Dias, António Salvado, Edgar Carneiro, Ernesto Sampaio, António Barahona, Vergílio Alberto Vieira, José Sebag, Manuel da Silva Ramos, Nuno de Figueiredo ou Carlos Bessa, só para citar nomes (poderia ainda referir mais alguns) que encarnam o número do azar (13) e que poderiam perfeitamente ter sido incluídos na antologia.
Concluindo (apesar de ser sempre mais cómodo, estar no exterior, do que no centro, de uma tarefa como esta), estamos perante uma antologia em que aos organizadores terá que ser atribuído o mérito, algo considerável, de terem conseguido juntar mais de dois mil poemas (ou fragmentos deles) de 267 poetas, num arco temporal de oito séculos, mas que até devido a tal facto, deveriam em determinadas situações, por um lado, ter sido mais exigentes consigo próprio e por outro, não acharem que este jardim (pequeno jardim) da poesia portuguesa, aceita ou aceitará qualquer planta, só porque é regada em abundância (aliás, "água de mais mata a planta").
P. S. ? Se a antologia terminou com Pedro Mexia que nasceu em 1972 e que publicou pela primeira vez em 1999 ? ficamos sem ter a certeza, se não ter terminado com um poeta nascido em 1974, o mais lógico (uma vez que seria terminar um ciclo temporal numa data importante, não só da sociedade, mas também, da literatura portuguesa) ou publicado pela primeira vez em 2000, se deveu ao facto de ter sido assumido o objectivo de não incluir Manuel de Freitas?
Dois poemas de Manuel Gusmão (1 poema na antologia) e Daniel Maia-Pinto Rodrigues (23 páginas na antologia ? como disse numa carta que me escreveu em 2006, Herberto Helder: ?E eu que ainda não li todos os gregos?):
A velocidade da luz
Há, houve uma rotação do teu corpo
e há qualquer coisa de irreparável
que me fizeste quando rodaste no mundo ?
o quase homem aposta tudo em que voltará.
Joga tudo em que o mundo regressará
a essa forma de uma onda suspensa na música
a essa rotação fora dos eixos.
Porque é que dizes então «irreparável»?
Irreparável aponta para onde?
Irreparável é o mesmo que antiquíssima
e não idêntica?
A cicatriz é irreparável porque a ferida é perpétua,
esquecida e perpetua?
Tocas-lhe a milímetros de distância,
como quem não quer
a coisa,
e tu devias dar e não dar por isso.
Dir-se-ia que o ar se moveu, que uma coluna
do tempo se deslocou, dançou como a luz por entre nuvens
na parede verde de um canavial.
M. G.
Um Pequeno Poema de Amor
Nos tempos primitivos
o australopiteco dizia para a mulher:
"ó minha macaquinha, sorria
olhe ali um mamute!"
Nos tempos de hoje em dia
o homem diz para a mulher:
"ó minha dama de companhia, mamo-te. "
Prefiro o setentão sinfónico dos Camel
que dizia:
ó minha dama de fantasia, amo-te.
D. M. P. R.
por João Rasteiro
Cortesia de TRIPLOV
ASA consagra 2010 o ano de Maria Alberta Menéres
Publicado: 2010-08-28 às 04:31
A escritora Maria Alberta Menéres completou recentemente 80 anos. Trata-se de uma das mais produtivas e talentosas criadoras portuguesas,que estende a sua vastíssima obra através da literatura infantil,da poesia,do romance e do ensaio.
A escritora que é conhecida, sobretudo, pelos seus livros para a infância e juventude, iniciou a carreira pela poesia, talvez a sua maior paixão literária, com ?Intervalo?, que surgiu em 1952. O seu talento rendeu-lhe, oito mais anos mais tarde, o prémio internacional de poesia Giacomo Leopardi pela qualidade de ?Água-Memória?. Como poetisa, Maria Alberta Menéres aborda uma certa realidade feminina, alicerçada numa linguagem com grande riqueza rítmica.
Ainda na poesia, juntamente com Ernesto Melo e Castro (com quem casou e foram pais da cantora Eugénia Melo e Castro) organizou a ?Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa?,que conheceu três edições nas décadas de 50 e 60, para em 1979 proceder à sua actualização em ?Antologia da Poesia Portuguesa 1940-47?. O seu nome é habitualmente associado aos de outros poetas como Ruy Belo, Herberto Helder, João Rui de Sousa, Pedro Tamen, Cristovam Pavia e Fernando Echevarría
Mas esta dinâmica mulher de letras,licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas,que foi professora de liceu, tradutora e colaboradora de vários jornais e revistas, é reconhecida como uma das mais notáveis escritoras portuguesas de livros para os mais novos.
A sua produtividade é quase inacreditável: escreveu mais de 70 títulos, sempre com histórias vivas, capazes de prender o interesse dos mais pequenos, para quem tem uma mensagem de optimismo . Ao mesmo tempo,procura alertá-los para os aspectos mais simples do quotidiano, pois cada um deles tem algo para nos contar e nos tocar bem fundo. Tema recorrente nas suas obras é o das relações familiares, destacando, nomeadamente, a importância que os avós têm no nosso crescimento. Com a sensibilidade própria de uma poetisa, Maria Alberta Menéres cria situações originais,investe na recolha tradicional,faz versões de obras clássicas. Com um estilo narrativo peculiar,recorre a antigas oralidades para envolver o leitor num clima real com um toque de magia.
Em 1986, foi distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, ?pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um alto nível de qualidade?.
Entre a sua vasta obra merece destaque ?Ulisses?, que já conta com 35 edições e mais de 600 mil exemplares vendidos.
A sua editora,a Asa, resolveu consagrar 2010 como o Ano Maria Alberta Menéres, com várias iniciativas, que teve o seu ponto mais alto com a publicação de uma obra, ?Camões, o super-herói da língua portuguesa?, que, segundo a autora, é ?uma biografia romanceada à minha moda de um dos maiores poetas portugueses?.
Cortesia de JN
A escritora que é conhecida, sobretudo, pelos seus livros para a infância e juventude, iniciou a carreira pela poesia, talvez a sua maior paixão literária, com ?Intervalo?, que surgiu em 1952. O seu talento rendeu-lhe, oito mais anos mais tarde, o prémio internacional de poesia Giacomo Leopardi pela qualidade de ?Água-Memória?. Como poetisa, Maria Alberta Menéres aborda uma certa realidade feminina, alicerçada numa linguagem com grande riqueza rítmica.
Ainda na poesia, juntamente com Ernesto Melo e Castro (com quem casou e foram pais da cantora Eugénia Melo e Castro) organizou a ?Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa?,que conheceu três edições nas décadas de 50 e 60, para em 1979 proceder à sua actualização em ?Antologia da Poesia Portuguesa 1940-47?. O seu nome é habitualmente associado aos de outros poetas como Ruy Belo, Herberto Helder, João Rui de Sousa, Pedro Tamen, Cristovam Pavia e Fernando Echevarría
Mas esta dinâmica mulher de letras,licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas,que foi professora de liceu, tradutora e colaboradora de vários jornais e revistas, é reconhecida como uma das mais notáveis escritoras portuguesas de livros para os mais novos.
A sua produtividade é quase inacreditável: escreveu mais de 70 títulos, sempre com histórias vivas, capazes de prender o interesse dos mais pequenos, para quem tem uma mensagem de optimismo . Ao mesmo tempo,procura alertá-los para os aspectos mais simples do quotidiano, pois cada um deles tem algo para nos contar e nos tocar bem fundo. Tema recorrente nas suas obras é o das relações familiares, destacando, nomeadamente, a importância que os avós têm no nosso crescimento. Com a sensibilidade própria de uma poetisa, Maria Alberta Menéres cria situações originais,investe na recolha tradicional,faz versões de obras clássicas. Com um estilo narrativo peculiar,recorre a antigas oralidades para envolver o leitor num clima real com um toque de magia.
Em 1986, foi distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, ?pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um alto nível de qualidade?.
Entre a sua vasta obra merece destaque ?Ulisses?, que já conta com 35 edições e mais de 600 mil exemplares vendidos.
A sua editora,a Asa, resolveu consagrar 2010 como o Ano Maria Alberta Menéres, com várias iniciativas, que teve o seu ponto mais alto com a publicação de uma obra, ?Camões, o super-herói da língua portuguesa?, que, segundo a autora, é ?uma biografia romanceada à minha moda de um dos maiores poetas portugueses?.
Cortesia de JN
Novo sítio do Jornal Artes, Ideias e Letras
Publicado: 2010-08-26 às 04:26
JORNAL ARTES, IDEIAS E LETRAS
BIO - Alexandre Herculano
Publicado: 2010-08-24 às 04:20
Nascido em 28 de Março de 1810, Alexandre Herculano estuda Humanidades no colégio dos Oratorianos com vista à matrícula na Universidade, mas a cegueira do pai força-o a abdicar desse projecto e a limitar-se a um curso prático de Comércio, estudos de Diplomática (Paleografia) e de Línguas. Desde muito jovem que a sua vocação para as letras se manifesta: lê e traduz escritores românticos estrangeiros, como Schiller, Klopstock, ou Chateaubriand, escreve poesia, conhece Castilho e frequenta os salões da Marquesa de Alorna.
Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.
Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.
Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, ?Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir??, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, ?Poesia ? Imitação ? Belo - Unidade?, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a ?imoralidade? e a ?irreligião? que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em ?A Semana Santa? (1829).
Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d?un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.
Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (?O Canto do Cossaco?), Bürger (?O Caçador Feroz?, ?Leonor?), Delavigne (?O Cão do Louvre?), Lamartine (?A Costureira e o Pintassilgo Morto?) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (?A Noiva do Sepulcro?). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, ?A Arrábida?). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (?A Semana Santa?, ?A Cruz Mutilada?; ?O Mosteiro Deserto?; ?A Vitória e a Piedade?, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do ?belo horrível?, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.
Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das ?Cartas sobre a História de Portugal?. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o ?milagre de Ourique?; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasce Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.
Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes de História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dos Opúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.
Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.
Em 24 de Março de 1838, publica n? O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n? A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n? O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como ?modelo e desesperação de todos os romancistas?, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.
Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num ?cavaleiro negro? misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N? O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.
Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se. . .
Com O Pároco de Aldeia, publicado n? O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.
Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.
Por Ana Maria dos Santos Marques
Este é o post número 1000.
Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.
Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.
Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, ?Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir??, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, ?Poesia ? Imitação ? Belo - Unidade?, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a ?imoralidade? e a ?irreligião? que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em ?A Semana Santa? (1829).
Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d?un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.
Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (?O Canto do Cossaco?), Bürger (?O Caçador Feroz?, ?Leonor?), Delavigne (?O Cão do Louvre?), Lamartine (?A Costureira e o Pintassilgo Morto?) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (?A Noiva do Sepulcro?). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, ?A Arrábida?). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (?A Semana Santa?, ?A Cruz Mutilada?; ?O Mosteiro Deserto?; ?A Vitória e a Piedade?, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do ?belo horrível?, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.
Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das ?Cartas sobre a História de Portugal?. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o ?milagre de Ourique?; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasce Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.
Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes de História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dos Opúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.
Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.
Em 24 de Março de 1838, publica n? O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n? A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n? O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como ?modelo e desesperação de todos os romancistas?, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.
Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num ?cavaleiro negro? misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N? O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.
Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se. . .
Com O Pároco de Aldeia, publicado n? O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.
Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.
Por Ana Maria dos Santos Marques
Este é o post número 1000.
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