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Autor:
Torku Paradji

Hiperbórea Juvenália

O QUE FAZEMOS VALER PARA NÓS É O MESMO QUE FAZEMOS VALER PARA OS OUTROS, MAS O QUE VALE PARA OS OUTROS PODE NÃO SER O MESMO QUE VALE PARA NÓS.

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Um Artista Para o Fim-de-Semana II

Publicado: 2013-05-24 às 18:31
JOSEP KOTE




Josep Kote nasceu em Vlore, uma cidade costeira da Albânia que, segundo dizem, è uma urbe interessante. Doi anos depois de se diplomar em pintura e cenografia pela Academia de Belas Artes de Tirana em 1988 lá partiu para a Grécia e mais ou menos dez anos depois rumou a Toronto, Canadá. Em 2009 mudou-se para Nova York onde trabalha e reside até hoje. . .

Só por isso quase estive a exclui-lo desta rubrica, pois, como é sabido, tento ao máximo boicotar tudo o que provém desse país democraticamente militar (aliás como quase todos os países democratas, só que este é o mais perigoso para a saúde do planeta). No entanto, apesar de, aparentemente, o homem ter sucumbido à perversão da riqueza do luxo e ter decidido que quer viver bem e comer bem, não restam dúvida que pinta genialmente e assim, lá o plantei por estas paragens.

Só conheço as últimas obras do artista, que possuem uma apelativa paleta de cores suaves, com um toque suave que podiam muito bem ter sido produzidas por um carater feminino; mas para mim chega. Disfrutem.

Um Artista Para o Fim-de-Semana - I

Publicado: 2013-05-10 às 16:35
Há milhões de artistas no mundo? E plásticos é do que há mais?Algumas obras são fantásticas, outras, não o sendo, cativam por isto ou aquilo? Muitas mais não me tocam nem me despertam interesse? E para que isto não seja só desgraças, este estabelecimento tem o prazer de anunciar que se inicia hoje uma rubrica que irá procurar dar a conhecer obras de autores contemporâneos que de uma forma ou de outra são incontornáveis sob o ponto de vista do meu particular prazer estético e atração sensorial.


RIUSUKE FUKAHORI








Nada melhor para começar do que Riusuke Fukahori, um senhor japonês que pinta sobretudo peixinhos dourados tridimensionais, usando um complexo processo de resina derramada. Os peixes são pintados meticulosamente, camada sobre camada, revelando cada uma um pouco mais sobre cada criatura, semelhante à funcionalidade de uma impressora a 3D. A riqueza da profundidade das peças e o aspeto de ilusão de ótica resulta em algo que é ao mesmo tempo pintura e escultura. Uma maravilha.

Fonte: artFido. com





















Veja o vídeo da elaboração de duas obras em http://vimeo. com/58806905

Aforismos XLI

Publicado: 2013-05-09 às 17:54
Tudo o que o homem não conhece não existe para ele, por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento.

Vivo numa sociedade que anseia pela verdade mas que odeia aqueles que a dizem.

Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição.

A Progressão do Progresso

Publicado: 2013-05-08 às 16:08
Segundo um relatório da Comissão Europeia, ao longo do século XX, o mundo aumentou o seu uso de combustível fóssil num fator de 12, enquanto eram extraídos 34 vezes mais recursos materiais. Hoje, na União Europeia, cada pessoa consome 16 toneladas de bens materiais por ano, dos quais seis toneladas são desperdiçadas, indo metade acabar no aterro sanitário. No entanto, as tendências mostram que a era dos recursos abundantes e baratos está a acabar.

As empresas estão a enfrentar aumentos dos custos das matérias-primas e dos minerais essenciais, a sua escassez e a volatilidade dos preços estão a ter um efeito nocivo sobre a economia. As fontes de minerais, metais e energia, bem como os estoques de peixe, madeira, água, solos férteis, ar puro, biomassa, biodiversidade, estão todos sob pressão, assim como o está a estabilidade do sistema de clima.

Enquanto a demanda por alimentos, rações e fibras pode aumentar em 70% até 2050, 60% dos principais ecossistemas do mundo que ajudam a produzir estes recursos já foram degradados ou são usados de forma insustentável. Se continuarmos a usar os recursos ao ritmo atual, até 2050, vamos precisar, no total, do equivalente a mais de dois planetas para nos sustentar, e as aspirações de muitos para uma melhor qualidade de vida não será conseguida.




"A ascensão da Humanidade é geralmente medida pela velocidade do progresso. Mas e se o atual progresso nos estiver a prejudicar, levando-nos na direção do colapso?

Civilizações do passado foram destruídas pelas ?armadilhas do progresso? ? tecnologias fascinantes e sistemas de crença que atendem às necessidades imediatas, mas comprometem o futuro.

Com a pressão sobre os recursos mundiais a aumentar e as elites financeiras a levar nações ao fundo do poço, poderá a nossa civilização globalizada escapar da catástrofe ? a ?armadilha do progresso? final?"

Chagos, Uma Deportação Massiva

Publicado: 2013-05-03 às 18:27
Chagos é um arquipélago no Oceano Índico, administrado pelo governo britânico. Entre 1965 e 1973, o Reino Unido e os EUA, com a cumplicidade do governo das Maurícias, expulsou 5. 000 pessoas nativas de Chagos (incluindo da ilha Diego Garcia) para que se pudesse instalar aí a maior base nuclear / militar americana fora dos EUA.

O governo britânico alugou o arquipélago de Chagos aos EUA por, pelo menos, 2 biliões de dólares por ano e outras compensações, como por exemplo o perdão da dívida de 5. 000. 000 de dólares relativa à compra do míssil nuclear Polaris aos EUA. Claro que, a partir da instalação da base, o exército dos EUA tudo tem feito para impedir os habitantes de retornarem ao seu território.

O direito de voltar à terra natal tem sido reivindicado pela comunidade chagossiana no exílio que luta por uma compensação financeira pelo que sofreram e sofrem, devido ao crime de deportação forçada, de roubo, de destruição do seu modo de vida e da sua propriedade, e da tentativa de acabar com a identidade e a cultura de um povo.

Para justificar a deportação dos residentes, o governo do Reino Unido mentiu às Nações Unidas, alegando que os chagossianos eram trabalhadores temporários das Seychelles e Maurícias que regressavam a casa. Foram necessários 30 anos para a ONU reconhecer que os chagossianos são um povo nativo, que vive nessas ilhas desde 1776 - quando foram trazidos pelos franceses na qualidade de escravos.

O governo britânico nunca consultou os chagossianos, somente parlamentando com os governos dos Estados Unidos e das Ilhas Maurícias. Nunca houve um referendo, nem sequer as pessoas foram avisadas que iam ser deportadas. Alguns chagossianos que tinham ido às Maurícias para cuidados de saúde, nunca mais foram autorizados a voltar para as ilhas. Todos os transportes marítimos de passageiros foram suspensos, as autoridades britânicas queimaram as certidões de nascimento das pessoas e mataram todos os animais domésticos à frente dos seus donos.

Nas Maurícias, os chagossianos têm enfrentado um terrível racismo, extrema pobreza e privações. Quando chegaram, foram recebidos pela polícia, que confiscou todos os pertences e revistou minuciosamente homens mulheres e crianças. Enquanto a elite branca de Chagos recebia dinheiro para refazer a vida na Austrália, os Chagossianos pretos foram deportados em porões de carga, lembrando-lhes bem que o tempo da escravatura realmente não acabou.

Clemencia, uma avó nascida em Diego Garcia disse: "Eu costumava trabalhar na colheita dos cocos, tirando quatro cocos por árvore e levando 25 cocos por saco na minha cabeça. Tinha uma colheita de 700 cocos por dia. Fiz isso a partir dos 10 anos de idade. O meu salário era de 10 rúpias por mês (cerca de 30 cêntimos de euro). Cuidava da horta da família e de alguns animais para a subsistência. Fui para a Maurícia, em 1967, para obter cuidados de saúde para o meu filho e não mais tive permissão para voltar. As pessoas nas Maurícias são extremamente racistas em relação aos chagossianos. Vivia na pobreza como empregada doméstica. ? Clemencia deixou as Maurícias em 1 de junho de 2003 para se juntar a um de seus filhos, que já estava no Reino Unido.

Em 1983, 10 anos após as deportações, o Reino Unido deu ao governo das Maurícias 4milhões de libras, e as Maurícias "contribuíram" com 1 milhão de dólares para "compensar" o Chagossianos deportados. Mas apenas alguns Chagossianos receberam 1. 000 libras cada um como "compensação final e completa" e foram forçados a abandonar todas as suas reivindicações. Muitos nem sequer sabiam ler o que assinaram com a sua impressão digital. Aqueles que foram deportados para as Seychelles não tiveram qualquer compensação.

Nos últimos 30 anos os chagossianos têm lutado contra a situação, quer através de manifestações em massa e vigílias em frente à Embaixada do Reino Unido nas Maurícias, quer através de greves de fome por mulheres chagossianas para exigirem a retirada da base dos EUA e o direito de regressar a Chagos, incluindo Diego Garcia. As mulheres têm estado na vanguarda da luta, que ganhou uma decisão judicial importante.


Protesto em Mauritius (1980) - "Rann NU DIEGO" - Devolva-nos Diego!(Clemencia à esquerda)

Em 3 de novembro de 2000, o Supremo Tribunal de Londres concedeu aos Chagossianos o direito de voltar a todas as ilhas de Chagos. O Tribunal reconheceu que haviam sido ilicitamente retirados das ilhas. O governo do Reino Unido finalmente concedeu a plena cidadania britânica aos chagossianos? 30 anos após as deportações!

No entanto, em 9 de outubro de 2003, o Supremo Tribunal determinou que afinal os Chagossianos não tinham o direito a indemnização, e questionou a decisão que concedeu o direito de voltar. Este julgamento viola muitas convenções internacionais que reconhecem o direito dos habitantes entrarem no próprio país, a obrigação do Reino Unido em garantir o "bem-estar dos habitantes" dos territórios que administra, e de outros direitos legais internacionais.

Nos últimos anos, uma comunidade de mais de 100 chagossianos chegou ao Reino Unido com o intuito de recuperar os seus direitos, tendo sido confrontados com o mesmo racismo e discriminação que enfrentam nas Maurícias. Mesmo sendo cidadãos britânicos são-lhes negados alojamento adequado e benefícios, acabando muitos na situação de sem-abrigo.



O futuro parece muito sombrio para a minoria chagossiana que muito dificilmente recuperará o direito de habitar o seu território, tanto para mais que os EUA têm opção de renovação por mais 50 anos? A juntar a isto temos também o último deslumbramento do governo britânico que é o de pretender criar no local uma reserva natural integral, com proibição total de pescar, o que cerceará à partida qualquer estabelecimento de comunidades que dependam da pesca para a sua nutrição. Duvido muito que a ser implementada, esta proibição abranja os cidadãos americanos no arquipélago, que já ultrapassam em número os chagossianos deportados.

A base militar estratégica em Diego Garcia, a maior ilha habitada, foi fundamental como base de reabastecimento durante a Guerra do Golfo de 1991 e na atual guerra contra o Iraque. Serviu como base para bombardeiros B-52 e os EUA também usaram a ilha para lançar as suas ofensivas terroristas de bombardeamentos contra o Afeganistão. Atualmente, um número indefinido de suspeitos de pertencerem à Al-Qaeda são torturados e interrogados na ilha. A base é fundamental para a continuação da hegemonia terrorista do governo dos EUA em África, no Médio Oriente e Sudeste Asiático, estando nos planos dos americanos a sua expansão. Os EUA têm bases militares em 140 países, sendo a organização da sua híper máquina de guerra dividida em 6 regiões. O arquipélago de Chagos e o Médio Oriente fazem parte da USCENTCOM (ver mapa abaixo).



Fontes: Chagossian Group U. K.

Luís Garcia em "Pensamentos Nómadas"