Retrovisor
memórias,fotografia,literatura,pintura,cinema
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| Categoria: | Cultura | - | |
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| Última actualização: | 2013-05-16 às 19:10 | - | |
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Últimos posts neste blog:
Half Dome (1958)
Publicado: 2013-05-16 às 19:10
Tunnel Tree (1957)
Publicado: 2013-05-05 às 12:25
Postal de minha Mãe para sua irmã Stella, de um conjunto oferecido por meu primo Miguel Freitas da Costa, a quem muito agradeço.
Outro postal de Margarida para Stella aqui
Vagamente à procura de Pasárgada
Publicado: 2013-05-02 às 12:34
Num conjunto muito variado de textos, Eduardo Côrte-Real discorre com simplicidade e humor sobre a descoberta doutras paisagens, povos e mentalidades à luz dos seus autores de cabeceira e da sua história pessoal de filho do Império:
"nesta parte do mundo [Macau], os portugueses fizeram-se à vida sozinhos, verdade que nem sempre se conta, só isso já dá a dimensão da aventura de quem vai para a China, para a civilização mais antiga de todas, agora um gigantesco casino, com Moulin Rouge e tudo" . . . "Em Moçambique o apartheid era uma realidade, nunca tive um colega de escola preto e fiz lá o liceu todo. Naquele tempo, entretido a crescer, não me parecia estranho. Os únicos pretos com quem falávamos eram os nossos criados ? sete. "
O Médio Oriente, a Rússia e a China registados pelo autor nos finais do século XX também já não são hoje exactamente os mesmos, e nesse subtil desfasamento reside outro dos interesses deste livro.
índice de capítulos aqui
Tive a sorte de viver, longamente, em três continentes - Africa, Ásia e Europa. O persa de Homero, esse ainda desconhecido dos europeus e, no entanto, a viver ao nosso lado, foi o meu best friend nesses idos. Também gosto imenso da América, tanto do norte como de alguns países do sul, daqueles onde não mora o pecado como no Brasil, a glória portuguesa. Gosto de árabes ? o que é raro nos europeus ? uma matriz complicadíssima porque política e religião são do mesmo grupo de conceitos neles. [. . . ] Não há lares de terceira idade na China, o filho mais velho toma conta dos pais até eles morrerem. É assim. Praticar o Li (o bom caminho) não é muito diferente das éticas gerais, religiosas ou ateias. Individuo versus Universo é a questão do confucionismo chinês. O Ocidente individualista deusificou a Humanidade - mais interessante para filosofar ? que a abstração dessa alma coletiva chinesa, nunca individual. No confucionismo não há salvação isolada, egoísta, nem alminhas. O historiador, o antropólogo, o humanista ocidental europeu, o jornalista, levo-os a todos como se fosse a escova de dentes, se possível sem eurocentrismos que são só excesso de peso. Não é só fazer a mala. É saber ao que vamos.
Eduardo Côrte Real
in Vagamente à procura de Pasárgada (Introdução)
© RCP Edições 2012
Leia o poema Vou-me Embora pra Pasárgada de Manuel Bandeira aqui
Adeus anos 70
Publicado: 2013-04-15 às 16:58
© José Paulo Ferro/ Sistema Solar,CRL (Documenta 2012)
Edições Documenta com o apoio da Fundação EDP.
É um álbum da cena jovem pós 25 de Abril em Lisboa: bandas de rock, bares, concursos de dança, festas públicas e privadas, uma peça de teatro, "Tragédia Infantil", de Wedekind, encenada por Osório Mateus em 1979, e o templo budista da rua do salitre. Poderá este retrato de uma época gerar outros que o completem, como sugere Margarida Medeiros? E em que formatos e suportes? Ao folhear este livro, voltei a interrogar-me sobre a existência e o paradeiro de colecções inéditas de fotografias da sociedade portuguesa, de profissionais e amadores desconhecidos do público*.
Roll Over adeus anos 70 é um álbum discreto e intimista. Estas fotografias transmitem uma certa fragilidade, que embora seja própria da juventude de qualquer época, mesmo a juventude das camadas privilegiadas, é aqui acentuada pelos tempos difíceis que se viviam em Portugal. O pano de fundo destas cenas é um país pobre e cheio de incertezas mas muito diferente do actual, na ressaca do 25 de Abril, sem estradas, "equipamentos" nem internet, e anterior à disseminação das drogas duras e da SIDA que havia de marcar a década seguinte.
* sobre este assunto leia o artigo "No rasto de António da Loja" de Abel Coentrão no jornal Público aqui e, neste blog, aqui e aqui
* * *
As imagens que vemos neste livro, como de um modo geral as fotografias o fazem, conduzem o leitor a uma viagem num tempo. São imagens snapshot, tiradas no calor do momento e das emoções experimentadas, quer pelos fotografados, quer pelo fotógrafo. Retratam uma geração que reúne gentes de vários quadrantes artísticos, durante a década de setenta e princípios de oitenta. [. . . ]
Roll Over fica como um retrato de uma época que ainda está (em certa medida estava) por fazer e que sem dúvida gerará outros que o completem; numa época em que a imagem digital faz desaparecer a importância da fotografia e do snapshot pela imensidão de imagens que se podem gerar em cada segundo, este é um arquivo valioso para a memória destes anos e que complementa qualquer história do «rock português». Mas é-o sobretudo pelo estilo de aproximação, pela forma como sublinha a cena em detrimento do personagem individual que nela se destaca, o acto em detrimento da pose, a dinâmica literal em detrimento do esteticismo.
Margarida Medeiros
in Roll Over adeus anos 70 de José Paulo Ferro
no texto de introdução "A estética snapshot: imagens quase privadas de uma geração"
© Sistema Solar,CRL (Documenta 2012)
Poesia da Idade do Rock
Publicado: 2013-04-12 às 17:07
contracapa
São 563 letras do universo pop/rock entre 1955 e 1980 recolhidas e traduzidas para português ao longo de três décadas. [. . . ] Para o autor, muita desta história vive-se na profunda intimidade com a beat generation e com uma linhagem em que os melhores poetas não só se ligam aos beatniks como prolongam ainda uma linha de heróis - "são sempre os mesmos: William Blake, Mallarmé, Rimbaud, Baudelaire, Walt Whitman, Garcia Lorca, Yeats" - vinda desde o século XVIII. É precisamente neste enfiamento que reside um dos mais robustos argumentos de Estro in Watts: o de que esta poesia não deve ser menorizada perante aqueloutra publicada em livro apenas porque "tem repetições, acompanha o ritmo de elocução verbal e tem uma métrica que é a da respiração". "Estes grandes poetas seriam sempre grandes poetas de livros, mas escolheram a música porque acharam que era esse o veículo. " [. . . ] "Esta cultura foi, para mim, uma escola. Há uma geração pós-25 de Abril que se reclama marxista. O meu marxismo foi a música, foi o rock. Aprendi a ser adolescente não tanto lendo livros teóricos mas a viver isto. " Agora, com este conjunto de 563 poesias de 170 autores, talvez muitos dos que privaram com estas canções no devido tempo possam prestar uma outra atenção aos textos.
Excertos do texto de Gonçalo Frota in jornal Público aqui
Esta antologia poética e um álbum de fotografias* recentemente lançados são interessantes testemunhos da cultura pop/rock em Portugal. A geração que cresceu nos anos 60 em Portugal, na qual me incluo, deve a sua educação neste género musical à excelência da nossa rádio. Dessa época recordo em particular o programa "Em Órbita", que servia diáriamente um menu de luxo e no fim de cada ano apresentava aos ouvintes o seu top 10, excluindo Bob Dylan, colocado pelos responsáveis acima destas classificações. Vinte anos mais tarde, no início dos anos 80, foi o fim do programa radiofónico "A Idade do Rock" que inspirou João Menezes Ferreira a lançar-se neste projecto de antologia bilingue, agora concretizado e a que nenhum apreciador do género pode ficar indiferente. No meu caso pessoal, revisitar o universo pop/rock anglo-saxónico é recordar parte importante da minha adolescência e juventude e imensos bons momentos da minha vida adulta***. Estou curiosa de redescobrir os textos, nas duas línguas.
Notas:
* O livro de fotografias Roll Over adeus anos 70 de José Paulo Ferro, que apresentarei em post separado.
Edições Documenta com o apoio da Fundação EDP.
** A minha telefonia nos anos 60 aqui
*** Leia a este propósito o post "Michael Jackson" aqui
a pop francesa e o programa "Em Órbita" aqui
um bom comentário sobre Estro in Watts aqui
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