(Autumn Canal - Leonid Afremov)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
.
Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas. . .
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
.
Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares. . .
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
.
Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,. . . foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos
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PÓ(ÉTICA) HERÉTICA
Poemas de Andre L. Soares.
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Últimos posts neste blog:
Canção do Outono Sombrio
Publicado: 2009-11-18 às 00:27
Loucura
Publicado: 2009-09-30 às 20:38
(Foto: André L. Soares)
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LOUCURA
(André L. Soares)
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Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
a cansativa fissura,. . .
quero esquecer as perguntas,
desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos
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LOUCURA
(André L. Soares)
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Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
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desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
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A Relatividade da Verve
Publicado: 2009-09-03 às 00:13
(Foto: André L. Soares)
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A RELATIVIDADE DA VERVE
(André L. Soares)
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Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ?adeus?,. . . abscessos,. . .
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você). . .
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.
.
Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,. . .
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,. . .
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.
.
Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê). . .
dos astros que queimam,. . . eternos
nas curvas do tempo e do espaço.
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A RELATIVIDADE DA VERVE
(André L. Soares)
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Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ?adeus?,. . . abscessos,. . .
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você). . .
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.
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Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,. . .
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,. . .
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.
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Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê). . .
dos astros que queimam,. . . eternos
nas curvas do tempo e do espaço.
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Milagre Campestre
Publicado: 2009-08-10 às 21:23
(Foto: André L. Soares)
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MILAGRE CAMPESTRE
(André L. Soares)
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Havia pessoas numa roça,
morando em casas de taipa,
tirando sustendo da enxada,
rostos repletos de marcas,
ganhando menos que pouco.
.
A lida lhes trouxe sufoco.
Privações, doenças, calos,
dor, exploração, descaso,
carência e esquecimento. . .
eram os prêmios do caboclo.
.
No entanto, a Natureza,
dócil, sábia, generosa,. . .
testemunhando o tormento
dos que labutavam ao sol
? fiéis relutantes heróis ?
enviou,. . .
aos galhos do pé-de-rosa,
na hora da Ave-Maria,
a sublime sinfonia
da orquestra de rouxinóis,. . .
.
. . . e foi perfeita a paz por todo o vergel,
que logo o fruto farto floresceu;. . .
. . . e foi tão linda a festa sob o céu,
que riram e choraram:. . . homem e Deus.
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MILAGRE CAMPESTRE
(André L. Soares)
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Havia pessoas numa roça,
morando em casas de taipa,
tirando sustendo da enxada,
rostos repletos de marcas,
ganhando menos que pouco.
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A lida lhes trouxe sufoco.
Privações, doenças, calos,
dor, exploração, descaso,
carência e esquecimento. . .
eram os prêmios do caboclo.
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No entanto, a Natureza,
dócil, sábia, generosa,. . .
testemunhando o tormento
dos que labutavam ao sol
? fiéis relutantes heróis ?
enviou,. . .
aos galhos do pé-de-rosa,
na hora da Ave-Maria,
a sublime sinfonia
da orquestra de rouxinóis,. . .
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. . . e foi perfeita a paz por todo o vergel,
que logo o fruto farto floresceu;. . .
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Livre
Publicado: 2009-07-14 às 23:22
(Foto: André L. Soares)
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LIVRE
(André L. Soares)
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Como o líder,. . . que comanda sem ser amo.
Como o perfume,. . . que invade sem ser bárbaro.
Como o pássaro,. . . que vai embora no outono.
Como o posseiro,. . . que faz bom uso sem ser dono.
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(André L. Soares)
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Como o líder,. . . que comanda sem ser amo.
Como o perfume,. . . que invade sem ser bárbaro.
Como o pássaro,. . . que vai embora no outono.
Como o posseiro,. . . que faz bom uso sem ser dono.
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