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Mundo em Movimentos

Em defesa dos Movimentos Sociais que lutam por um mundo justo e humano.

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Dia dos Blogs com um dia de atraso

Publicado: 2010-09-01 às 04:53
Dia 31 de Agosto é o Dia Internacional dos Blogs. Alguém achou, pela ilustração acima, que a data lembrava a palavra "Blog". O importante é que pegou. Estou um pouco atrasado de novo, mas como entendo que se não amanheceu o dia não passou, está valendo.


A forma de celebrar é recomendar outros blogs, o que no meu caso não é tarefa fácil. Sigo e leio muitos, o que faz de mim um ingrato seja qual for a seleção que eu faça. Mas vamos a alguns que eu ainda não havia recomendado:



Estudando em Buenos Aires, o blog Aquí me quedo, de Gisele Teixeira, tornou-se uma parada obrigatória para mim. Jornalista brasileira, mora há anos por lá e é ótima observadora do cotidiano da cidade.



Em Maceió, alguns professores de Direito têm estimulado bem com seus blogs a reflexão sobre Direito Digital, são Ciberdireito, Cultura e Pós-modernidade, de Fernando Amorim, e Jurista Digital, de Daniel Conde. Fico surpreso que Lavínia Cunha não fale tanto do mesmo assunto. Fiquem de olho no blog dela.


O melhor blog que já vi sobre Ciências Sociais no Brasil merece ser mencionado, Que Cazzo, mantido por grande equipe de professores de Metodologia das Ciências Sociais da UFPE.



Uma ótima coletânea de notícias sobre a vida jurídica acadêmica está no blog do mesmo nome, de Lívia Gaigher.



E você? O que sugere?

Para começar bem a semana: Os Seminovos

Publicado: 2010-08-29 às 22:28
Perdão, Leonardo



(homenagem ao fim de semana passado, em Goiânia)

O humor venceu, mas e os humoristas?

Publicado: 2010-08-27 às 19:20
Foi suspensa pelo STF a resolução do TSE que criava obstáculos para o humor político no Brasil. Apesar dos obstáculos que já vinham dos próprios humoristas e por seu público (para ler o que já foi comentado sobre isso neste blog, clique aqui e aqui e aqui). Seria interessante que os profissionais do humor (exceto os que são candidatos a cargos eleitorais) pensassem sobre o quanto são indefesos.



Para começar, a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade foi proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), não por alguma entidade representativa de artistas. Dependeram dos seus empregadores para isso, afetados porque a Lei n. 9. 504/97 apenas se referia a mídias de massas. Se esta ação mostra um progresso, afinal os donos das emissoras serem muitas vezes políticos não comprometeu que a associacão impetrasse a ação (para ler a decisão, clique aqui), é um sinal de debilidade da organização como classe dos humoristas.



O máximo que conseguiram fazer foi uma passeata. As imagens em programas de TV e as fotos em jornais mostravam sempre closes e as mesmas caras. É a tática de colunas sociais para fazer parecer que festas foram um sucesso. A propósito, fazer passeata em Copacabana parece mais pretexto para aproveitar a praia do que manifesto. Afinal, o TSE, o STF e a sede da OAB estão em Brasília. Seria muito mais interessante que tivessem feito por lá, mas como eu dizia faz poucos dias ainda há uma barreira curiosa entre repórteres de perguntas ousadas e juízes. Conseguem desafiar os poderes Legislativo e Executivo mas parecem temer o Judiciário para fazer o que chamam de "simples perguntas".



Há um outro problema, que me parece que apenas Luis Fernando Veríssimo lembrou. Enquanto a lei, que é de 1997, não "pegava", ninguém a contestava. Foram quase quatro anos deixando pra lá algo que reimplantava a censura tantos anos após a ditadura. Esperaram até o TSE fazer uma resolução para aplicar a lei. Se você procurar pelo Google protestos em declarações de humoristas, verá quem descreva como "resquício da ditadura" quando é algo muito posterior mas que ninguém enfrentou. Se há quem se proponha a fazer humor político, precisa acompanhar as leis que são promulgadas e entrevistar quem possa comentar seus possíveis efeitos. Quem fazia humor político em 1997 precisa rever os próprios conceitos.

Conheça a Festa Literaria de Marechal Deodoro

Publicado: 2010-08-27 às 14:13
Para conhecer a programação, clique na imagem acima.



Parabéns ao Carlito pela realização.

Onde está o humor político do brasileiro?

Publicado: 2010-08-25 às 20:57
Um dia, William Bonner disse numa entrevista que o Jornal Nacional era feito para o brasileiro médio, que corresponderia ao Homer Simpson. Infelizmente, a quantidade de comentários sem senso de humor que se seguiram fizeram o jornalista perder a boa piada e sentir obrigação de se desculpar.


Por falar nos Simpsons, sobraram brasileiros que reclamaram porque em algum episódio de algum tempo atrás macacos assaltaram a família em visita ao país. Há poucas semanas, a internet brasileira balançou quando Sylvester Stallone disse na Comic Con que gostou de filmar no Brasil porque explodia o que queria e ainda ganhava um macaco no fim do dia.



Nós nos ofendemos com muito pouco, com piadas sobre o país, mas podemos rir de portugueses, de loiras, de gaúchos, desde que não permitam ter uma visão de país. Não aprendemos nada com o stand up americano tão em moda no Brasil nem com a multidão de seriados americanos de humor por TV a cabo. Se a opinião pública dos exemplos acima foi percebida por meio da internet, e se a internet apenas recentemente tem se expandido pelas classes C e D, a classe média brasileira não é capaz de rir de si mesma.



Se esses exemplos forem suficientes para pensar sobre o senso comum nacional, é possível arriscar alguma opinião política. Com o senso de humor que a opinião pública brasileira demonstra, o Tribunal Superior Eleitoral deveria deixar os humoristas em paz. Afinal, a audiência deles não entende piadas que vão muito além da repetição de bordões e do pastelão. Se não conseguem rir de si mesmos, rindo das piadas feitas sobre o próprio país, então não podem entender humor político, mas apenas piadas rápidas sobre candidatos em campanha eleitoral (tenho dúvidas até disso. . . ).








Que o diga o procurador eleitoral Sérgio Monteiro Medeiros. O Ministério Público Eleitoral de São Paulo apreciou duas representações contra o que Tiririca vem dizendo no horário eleitoral mal pago de TV. Arquivou ambas. A Folha de São Paulo publicou hoje alguns fragmentos dos argumentos do procurador:



"O candidato expressa-se à sua maneira uns gostam, certamente, outros não--, não configurando desrespeito de modo algum, mas perfeita compatibilidade com a direito à liberdade de expressão assegurado na Constituição que, nessa seara, só encontra limite na lei eleitoral".
"É um modo de expressar jocoso, crítico, popular, mas e daí? Quem disse que as campanhas eleitorais visam a atingir o erudito, os mais estudados? O Brasil é uma democracia, não uma oligarquia. Até os analfabetos votam, e os que apenas sabem ler e escrever podem ser votados. De fato, não tendo o candidato agido de forma ofensiva, desrespeitosa, enfim, sequer inadequada do ponto de vista legal, não há porque ser repreendido".

"(. . . ) uma ingerência indevida pela Justiça Eleitoral (através de seu poder de polícia ou pela via afitiva) poderia mesmo afrontar os direitos políticos do candidato, constitucionalmente garantidos. Resta claro que não há o que se representar à Justiça Eleitoral. Não há infração à lei!".


Tiririca pode continuar sendo um herói do humor político brasileiro. Se condenado, seria o mártir da marcha do fim de semana contra a censura ao humor político. É o último humorista em atividade falando sobre política na TV. Fala de um modo que o público entende, seja isso bom ou não, como bem reflete o procurador.



A propósito dos humoristas que fizeram a marcha no último fim de semana. Por que ficam tão à vontade para fazer perguntas de difícil resposta para celebridades de TV e políticos em campanha mas não dão uma passadinha nos gabinetes dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral? Bastaria apontar um microfone falando sério e não correriam risco de prisão. Por que não cobrar deles em vez de apenas marchar fazendo piadas entre amigos?